A Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável da Assembléia Legislativa do RS, discutiu em audiência pública, nesta quarta-feira, 24/11, a atual demanda de passageiros e a estrutura de logística do Aeroporto Internacional Salgado Filho.
- Foi importante pela discussão e pela apresentação do plano da Infraero, que mostra todas as etapas do projeto e os valores investidos, que totalizam R$ 800 milhões - disse o deputado Luiz Fernando Záchia, proponente do debate.
Conforme Záchia, o aeroporto registra um movimento diário de 174 aeronaves. Ele citou problemas causados pela neblina e pela falta de infraestrutura.
- No ano passado o local esteve fechado por 134 horas, o equivalente a cinco dia - disse.
O assessor da superintendência da Infraero de Porto Alegre, Alberto Bott, reiterou as palavras do deputado dizendo que a Copa do Mundo não deve ser o único foco, mas lembrou que o evento deverá elevar entre 2% a 4% a demanda por transporte aéreo.
Segundo o técnico, a América do Sul e o Caribe representam apenas 4% a 5% da aviação mundial. Informou ainda que, de janeiro a outubro de 2010, o aeroporto registrou um movimento de 5,4 milhões de passageiros (contra 5,6 milhões no ano passado, até dezembro), o que o coloca em oitavo lugar no ranking nacional.
Até 2003, o movimento ficava em torno de 2 milhões de passageiros ao ano. A partir de 2004, houve um crescimento em torno de 15% ao ano.
O técnico do Departamento Aeroportuário do Estado, representando a Secretaria de Infraestrutura e Logística, engenheiro Fernando Bizarro, apresentou um histórico das obras do governo do Estado no aeroporto, incluindo os trabalhos de desocupação já realizados e aqueles ainda necessários.
Disse que estes têm sido realizados conforme o cronograma. Falou também sobre a necessidade de outros aeroportos, no interior do Estado, como na região nordeste, que poderá se constituir numa alternativa para o Salgado Filho.
Também o secretário municipal de Gestão e Acompanhamento Estratégico, representando a prefeitura de Porto Alegre, Newton Paulo Baggio, falou sobre os trabalhos já realizados e aqueles em andamento, como os de remoção das famílias da Vila Dique e da Vila Nazaré, localizadas na cabeceira da pista.
A área precisa ser liberada para dar espaço às obras de ampliação do traçado da pista, que passará de 2.280 metros para 3.190 metros de extensão.
Segundo o técnico, são cerca de 3 mil habitações. Até o momento foram removidas 450 famílias e a previsão é de remoção de mais 100 famílias até dezembro.
- Não é uma questão tão simples, tivemos problemas na aquisição de áreas, é uma engenharia própria, civil e social, complexa, por tratar-se de pessoas instaladas há um bom tempo - explicou.
O presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Nelcir Tessaro, manifestou preocupação com os prazos para a remoção das famílias, avaliando que no ritmo em que está não se terá a obra pronta para os eventos.
O presidente da Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros, Cláudio Candiota Filho, disse que o caos aéreo era previsível e não vem de hoje.
- O sistema está com câncer e de tempos em tempos vemos espasmos - afirmou.
Ele criticou o loteamento de cargos que, segundo ele, ocorre hoje na Infraero e na Agência Nacional de Aviação (Anac).
Conforme Candiota, o problema começou quando a Infraero foi transferida para o Ministério da Defesa, que, segundo ele, não entende nada de aviação.
- A Infraero foi a primeira vítima. Desde então, não se teve mais um responsável técnico, ela virou alvo do loteamento de cargos - disse.
O diretor do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre, Leonel Leandro Soares Montezana, disse que o aeroporto foi construído há apenas dez anos, mas já não dá conta da demanda.
Do ponto de vista dos trabalhadores, disse que não há vestiário, nem local para alimentação, nem segurança, e os salários estão defasados.
- Falta planejamento, falta fiscalização, a pressão sobre os colegas é enorme - disse.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Danilo Martins, relatou problemas de gestão no aeroporto e o “jogo de empurra” de responsabilidades que tem ocorrido.
(Com informações da Assembléia Legislativa do RS)
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