Era final de junho em Santiago, capital do Chile, com o frio típico do inverno meridional. Na Escola de Sociologia da Universidade de Humanismo Cristão, porém, os debates se encarregavam de esquentar o ambiente. Especialistas se reuniram para conversar sobre o aumento da violência na América Latina e no Caribe. A conclusão: os altos índices de corrupção e o auge do crime organizado vinculado ao narcotráfico são as causas de uma situação quase sem controle.
No último dia 30, saiu um documento do encontro, que definiu o panorama como “preocupante”. E são citados o México, a América Central e o Brasil. A violência e a insegurança se transformaram em um problema mais complexo “por serem nações em subdesenvolvimento, com superpopulação, altos índices de corrupção e pelo auge, nos últimos anos, do crime organizado”, diz o documento. Confira, no quadro abaixo, as conclusões, de alguns dos participantes do evento.
O que dizem os especialistas
- Marco Antonio Castillo, do Grupo Ceiba, da Guatemala (organização que promove a luta contra a toxicomania e a violência juvenil), define a situação nesse país como “extrema”. Mais de 70% da população é pobre e 67% é menor de 30 anos, fatores considerados determinantes para que no último ano a violência na Guatemala tenha aumentado 23%.
- Emilio Dellasoppa, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), diz que, no Brasil, a percepção de insegurança aumentou devido ao crescimento da população, especialmente nas zonas urbanas, e à consequente formação de favelas. Capitais como Rio de Janeiro e São Paulo são “castigadas pelo domínio do crime organizado ligado ao narcotráfico”.
- Deyanira Castillo, coordenadora de projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) na Nicarágua, conta que, ao contrário de outros países, foi implementado em Manágua, em 2007, um modelo de polícia comunitária que trabalha com a população, e que reduziu a taxa de homicídios e os casos de violência. Entre 2008 e 2009, segundo a estudiosa, a taxa de crimes em geral caiu pela metade.
|