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Saúde e Previdência - Detalhes sobre essa informação
Título: Pobreza e falta de saneamento agravam quadro
Autor: Por Emilio Sant’Anna
Data: 06/04/2008
Link: http://www.estado.com.br
Artigo:
Publicado no jornal Estado de São Paulo

Em meio à pobreza e longe da atuação do Estado. Nesses lugares, a maioria das doenças infecto-contagiosas - que persistem no Brasil há mais de um século - costuma aparecer. Não são exclusividade das camadas mais pobres da população, mas encontram nas más condições sanitárias e na falta de atenção do Poder Público uma forma de se manter. Some a isso a ocupação desordenada do espaço urbano e de áreas próximas a florestas e beiras de rios, por exemplo. Não falta mais nada para doenças como malária, dengue, leishmaniose, tuberculose, Chagas e até mesmo hanseníase continuarem a atingir todos os anos um grande número de brasileiros.

“Existem doenças que estão diretamente ligadas à falta de ação do Estado, outras têm no substrato social o meio de cultura favorável para existirem”, diz o médico Luciano Toledo, professor da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), no Rio, e ex-diretor da unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manaus.

Na Amazônia, as duas coisas parecem se misturar. Em populações ribeirinhas, doenças desconhecidas do resto do País, como a febre negra de Lábrea, causada pelo vírus da hepatite A, continua presente. Na periferia de cidades como Manaus, a malária é a vilã.

O funcionário público Gerson das Chagas Duarte, de 57 anos, diz que já teve malária 38 vezes. A primeira, quando ainda trabalhava em empresa privada de terraplenagem, por volta dos anos 1980, em obras na periferia de Manaus. “Só peguei (malária) da ‘braba’”, afirma.

O problema ficou mais recorrente quando ele adquiriu um sítio na região do município de Autazes, a 178 quilômetros da capital amazonense, há aproximadamente 17 anos. “Desde então, cada vez que fui para o sítio, peguei malária. Diminuí até minhas idas ao sítio, porque é muito ruim ficar assim”, diz.

PLANEJAMENTO

Especialistas concordam sobre a dificuldade de controlar doenças que sempre foram endêmicas no País, mas traçam um histórico do descaso do poder público com o controle dessas enfermidades.

Segundo o antropólogo Cláudio Bertolli, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o que se assiste hoje no Brasil é o resultado de um Estado arquitetado para atender apenas as necessidades das elites. “Essas doenças não afetam diretamente as atividades econômicas e o próprio Ministério da Saúde sempre foi usado como moeda de troca na maioria dos governos”, diz.

Para o presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), Osmar Terra, a criação de programas como o Saúde da Família ajudaram a reverter essa situação em alguns Estados. Mas a falta de planejamento e de mais recursos impede que os lugares mais distantes recebam a atenção necessária. “No Rio, por exemplo, um bairro como Campo Grande com cerca de 800 mil habitantes tem apenas um hospital e um posto de saúde”, diz Terra, que é secretário no Rio Grande do Sul.
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