Originalmente publicado por Rodrigo Bocardi/ Jornal da Globo
Uma das instituições internacionais mais respeitadas em pesquisas climáticas está sob a suspeita de ter manipulado dados para acentuar os efeitos do aquecimento global.
A temperatura está subindo, o gelo está derretendo, os fenômenos climáticos estão por aí. O homem - que polui, desmata e desperdiça - seria o culpado disso tudo. Quantas vezes isso foi dito nos últimos anos? A Organização das Nações Unidas sempre foi porta-voz desse alerta. O Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima - o IPCC, da ONU - é usado como base em grandes discussões mundiais sobre o assunto e, inclusive, recebeu o Nobel da paz em 2007 dividindo o prêmio com Al Gore. Mas agora o IPCC está sob suspeita. As informações usadas pela Organização das Nações Unidas para traçar um panorama do clima no mundo não seriam confiáveis. E-mails de um dos principais centros de estudos, que fornecem dados para a ONU, mostram que pode ter havido manipulação nas pesquisas.
Milhares de mensagens e documentos eletrônicos foram roubados da unidade de pesquisa climática de uma Universidade da Inglaterra - a East Anglia - e divulgados na internet. Eles mostrariam que um grupo importante de pesquisadores teria omitido dados para justificar o aquecimento global. Phil Jones, um cientista respeitado da Universidade de East Anglia, e que já recebeu mais de US$ 10 milhões para desenvolver pesquisas, escreveu: "eu acabei de concluir um 'truque' de adicionar às temperaturas reais de cada série dos últimos 20 anos para esconder o declínio". As palavras "truque" e "esconder o declínio" chamaram a atenção.
Para alguns pesquisadores, Phil Jones, estaria manipulando dados sobre o clima nas décadas passadas para esconder informação: a de que - em comparação com os dias de hoje -- houve uma redução na temperatura mundial e não um aquecimento global. Em nota, a Universidade de East Anglia declarou que Phil Jones - Diretor da Unidade de Pesquisas Climáticas - pediu afastamento do cargo até o fim das investigações. A ONU disse que os processos do IPCC são robustos, abrangentes e que um grupo não consegue pôr em risco os resultados do estudo nem comprometer a credibilidade do painel.
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