A identificação dos servidores da Assembleia Legislativa beneficiados com pagamentos indevidos que ultrapassam R$ 2 milhões em sete anos tem uma importância que vai além da simples relação de nomes. O significado da lista, definida por uma comissão de sindicância cujos resultados foram encaminhados ao Ministério Público, é acenar com a perspectiva de que a investigação possa ir além. A partir da relação dos beneficiários, fica mais fácil buscar as explicações para o descalabro e os responsáveis pela sua manutenção durante tanto tempo, dos quais a sociedade tem razões de sobra para exigir que venham a prestar contas.
Os nomes dos que receberam valores a mais dão uma ideia de que houve desde má-fé – só uma servidora teria embolsado mais de R$ 700 mil durante sete anos depois de sua exoneração – até desleixo nos controles por parte do Legislativo. Alguns deles alegam ter feito tentativa de devolver o dinheiro pago a mais, ou parar de recebê-lo, sem sucesso. É o tipo da situação que só ocorre quando o dinheiro carreado para o setor público pelos contribuintes vai parar nas mãos de maus gestores, em geral bem remunerados, que optam pelo descaso com verbas oficiais ou se preocupam prioritariamente em favorecer pessoas de suas relações.
Assim como na lamentável fraude dos selos, resta agora à Assembleia tentar reduzir o prejuízo. Parte dos favorecidos com o dinheiro a mais já se comprometeu em devolvê-lo parceladamente. Outra parte da verba precisará ser buscada na Justiça. É o mínimo que a sociedade pode esperar depois do episódio.
Neste caso específico, porém, não basta apenas reaver os recursos. É preciso também identificar os responsáveis pelo desperdício, para tomar as providências cabíveis e evitar, definitivamente, a repetição do fato. A divulgação do relatório com os nomes dos beneficiários contribui para facilitar a missão.
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